O CANSAÇO
Cansam-me os dias sempre iguais...
Cansam-me os numerais...
O tempo.
Esta recordação...
A nuvem passageira.
O céu azul.
Um luar que insiste em não morrer
dentro de mim.
Como me cansa o meu próprio
coração.
Esta busca contida.
Minha vida sofrida.
Eu busquei com meus olhos claros
flores que nem plantei.
Mas elas existem.
Insisto em acreditar nisso...
Estou cansada de olhar o nada.
E esperar que tudo aconteça.
Os milagres que espero.
As estradas.
Estradas que não se abrem porque as
bloqueei no passado.
Trago comigo as sete chaves para abrir
sabe Deus quantas portas.
Portas que fechei.
Eu guardei as chaves e andei
procurando.
Andei as buscando em porões de
minha mente.
Agora as encontro.
Mas o marasmo me tornou um ser
inútil.
Não tenho forças para me levantar.
Não consigo testar as portas emperradas.
Não, o cansaço não pode me vencer.
Vou me erguer.
Pesam-me os anos mortos e descubro
que basta um bom chacoalhar.
Pronto.
Estou nova.
É só começar a testar.
A primeira porta que se abre me
mostra uma possibilidade remota.
Mas meu ser acredita.
Vou testar outra.
Vou seguir.
O cansaço não vai me destruir.
sonia delsin

Nenhum comentário:
Postar um comentário