segunda-feira, 8 de abril de 2013



O CANSAÇO

Cansam-me os dias sempre iguais...
Cansam-me os numerais...
O tempo.
Esta recordação...
A nuvem passageira.
O céu azul.
Um luar que insiste em não morrer dentro de mim.
Como me cansa o meu próprio coração.
Esta busca contida.
Minha vida sofrida.
Eu busquei com meus olhos claros flores que nem plantei.
Mas elas existem.
Insisto em acreditar nisso...
Estou cansada de olhar o nada.
E esperar que tudo aconteça.
Os milagres que espero.
As estradas.
Estradas que não se abrem porque as bloqueei no passado.
Trago comigo as sete chaves para abrir sabe Deus quantas portas.
Portas que fechei.
Eu guardei as chaves e andei procurando.
Andei as buscando em porões de minha mente.
Agora as encontro.
Mas o marasmo me tornou um ser inútil.
Não tenho forças para me levantar.
Não consigo testar as portas emperradas.
Não, o cansaço não pode me vencer.
Vou me erguer.
Pesam-me os anos mortos e descubro que basta um bom chacoalhar.
Pronto.
Estou nova.
É só começar a testar.
A primeira porta que se abre me mostra uma possibilidade remota.
Mas meu ser acredita.
Vou testar outra.
Vou seguir.
O cansaço não vai me destruir.

sonia delsin 

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